Sexta-feira, Janeiro 08, 2010

Buscar-TE...

não dá p'ra esconde que Te procuro,
ardentemente e sem máscaras,
busco-te em cada gesto,
olhar, silêncio...
na penumbra da noite ou no raiar da aurora,
no ocaso do dia ou na densa noite,

buscar-Te: Uma Missão.
Encontrar-Te: O desejo.
Viver conTigo: uma Paixão.

e assim por entre sendas tortuosas
e veredas escarpadas
sou mais um viandante no tempo
que Te busca,
mais e sempre mais...

busco o Teu Rosto,
quero contemplar a Tua face,
mostra-Te!...

e assim, Senhor,
por entre gemidos e o sal das lágrimas,
por entre a gososa consolação de Te encontrar,
descubro que és Tu
que desde sempre me buscas

e finalmente me encontras,
desarmado,
de coração rasgado para amar,
e aqui,
onde me encontro com estes Teus irmãos,
me dás a doce alegria de Te dar o meu nada
e me fazes saborear internamente
a doçura de me deixar encontrar em Ti, por Ti, conTigo...

Domingo, Janeiro 03, 2010

Sim!

"pelo que passou Obrigado
ao que há-de vir: SIM!"


é com um sim que começa este novo ano
um Sim que quer ser "epifania" do eterno,
sinal daquela humildade e ternura que do presépio de Belém
desassossega o coração para os trilhos da verdade e da paz,
da comunhão e da compaixão.


e neste sim (e)terno
há duas "loucas por Cristo"
que me devolvem do coração de Deus
esta doce-inquietude
de ir mais longe e mais profundamente...
chamam-se Ida e Paula,
duas jovens como eu, e como Tu,
deixam tudo:
curso, familia,
o empenho na paróquia com os jovens que tanto amam...
e fazem-se à estrada da vida (e)terna
com um sim total a Deus
para se consagrarem e serem "Dom de Deus"
e ainda dizem que não há sinais?
eles estão aí,
elas estão cá!
obrigado pelo vosso SIM.

Sexta-feira, Dezembro 25, 2009

vale a pena pensar Nisto...


"Acordai: diz-nos o Evangelho. Vinde para fora, a fim de entrar na grande verdade comum, na comunhão do único Deus. Acordar significa, portanto, desenvolver a sensibilidade para com Deus, para com os sinais silenciosos pelos quais Ele quer guiar-nos, para com os múltiplos indícios da sua presença. Há pessoas que se dizem «religiosamente desprovidas de ouvido musical». A capacidade de perceber Deus parece quase uma qualidade que é recusada a alguns. E, realmente, a nossa maneira de pensar e agir, a mentalidade do mundo actual, a gama das nossas diversas experiências parecem talhadas para reduzir a nossa sensibilidade a Deus, para nos tornar «desprovidos de ouvido musical» a respeito d’Ele. E todavia em cada alma está presente de maneira velada ou patente a expectativa de Deus, a capacidade de O encontrar. A fim de obter esta vigilância, este despertar para o essencial, queremos rezar, por nós mesmos e pelos outros, por quantos parecem ser «desprovidos deste ouvido musical» e contudo neles está vivo o desejo de que Deus Se manifeste.(...)
A maioria dos homens não considera prioritárias as coisas de Deus. Estas não nos premem de forma imediata. E assim nós, na grande maioria, estamos prontos a adiá-las. Antes de tudo faz-se aquilo que se apresenta como urgente aqui e agora. No elenco das prioridades, Deus encontra-Se frequentemente quase no último lugar. Isto – pensa-se – poder-se-á realizar sempre. O Evangelho diz-nos: Deus tem a máxima prioridade. Se alguma coisa na nossa vida merece a nossa pressa sem demora, isso só pode ser a causa de Deus.(...)
Deus é importante, a realidade absolutamente mais importante da nossa vida. É precisamente esta prioridade que nos ensinam os pastores. Deles queremos aprender a não deixar-nos esmagar por todas as coisas urgentes da vida de cada dia. Deles queremos aprender a liberdade interior de colocar em segundo plano outras ocupações – por mais importantes que sejam – a fim de nos encaminharmos para Deus, a fim de O deixarmos entrar na nossa vida e no nosso tempo. O tempo empregue para Deus e, a partir d’Ele, para o próximo nunca é tempo perdido. É o tempo em que vivemos de verdade, em que vivemos o ser próprio de pessoas humanas. (...)
Pois bem, hoje também existem almas simples e humildes que habitam muito perto do Senhor. São, por assim dizer, os seus vizinhos e podem facilmente ir ter com Ele. Mas a maior parte de nós, homens modernos, vive longe de Jesus Cristo, d’Aquele que Se fez homem, de Deus que veio para o nosso meio. Vivemos em filosofias, em negócios e ocupações que nos enchem totalmente e a partir dos quais o caminho para a manjedoura é muito longo. De variados modos e repetidamente, Deus tem de nos impelir e dar uma mão para podermos sair da enrodilhada dos nossos pensamentos e ocupações e encontrar o caminho para Ele. Mas há um caminho para todos. Para todos, o Senhor estabelece sinais adequados a cada um. Chama-nos a todos, para que nos seja possível também dizer: Levantemo-nos, «atravessemos», vamos a Belém, até junto d’Aquele Deus que veio ao nosso encontro. Sim, Deus encaminhou-Se para nós. Sozinhos, não poderíamos chegar até Ele. O caminho supera as nossas forças. Mas Deus desceu. Vem ao nosso encontro. Percorreu a parte mais longa do caminho. Agora pede-nos: Vinde e vede quanto vos amo. Vinde e vede que Eu estou aqui. Transeamus usque Bethleem: diz a Bíblia latina. Atravessemos para o outro lado! Ultrapassemo-nos a nós mesmos! Façamo-nos viandantes rumo a Deus dos mais variados modos: sentindo-nos interiormente a caminho para Ele; mas também em caminhos muito concretos, como na Liturgia da Igreja, no serviço do próximo onde Cristo me espera.(...)
Senhor Jesus Cristo, Vós que nascestes em Belém, vinde a nós! Entrai em mim, na minha alma. Transformai-me. Renovai-me. Fazei que eu e todos nós, de pedra e madeira que somos, nos tornemos pessoas vivas, nas quais se torna presente o vosso amor e o mundo é transformado".

(Papa BENTO XVI, Homilia Noite Natal, 24 Dezembro 2009)

Ele está...


Rompei em brados de alegria,
exultai ó puros de coração,

abram-se os olhos dos que cegaram no tempo

por entre escolhos de esperança desvanecida,

encham-se de ternura os corações pois Aquele que é,
que era e que vem
está no meio de nós.

cessem os gemidos dos sem rumo
,
para os sem-abrigo chegou a casa,
no desnorte dos viandantes Ele faz-se caminho,
por entre as mentiras do mundo
chega Aquele que é a Verdade.

Rompei
aleluias por entre os carreiros,
cantai glória a Deus, ó rudes e humilhados,
soe a vossa voz como trombetas por entre os montes,

Ele está no meio de nós
.

e vós todos os marginalizados,
vinde a Belém, vinde à porfia,
mesmo sem ritmo ou sem história para contar,

pois Ele quer fazer história convosco,
não apenas um somar de dias,

mas um hino permanente de amor
onde salvação e beleza,
ternura e compaixão
se hão-de entrelaçar para rasgar horizontes

é Ele, Aquele que é sempre Novo
que chega uma vez mais
e tu,
mesmo que duvides,
mesmo com medo,
mesmo em pecado,
vem...
...pois é em Ti que Ele
quer montar para sempre a Sua tenda.

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Mensagem natalícia do Bispo de Coimbra

O Rosto da Esperança
Natal é tempo de esperança.
As crianças esperam presentes. Os adultos esperam saúde, contam com um bom encontro de família, aguardam um telefonema dos amigos, fazem votos para que “no próximo ano cá estejamos todos”. Enfim, crianças ou adultos, todos esperamos alegria.Esperança não é optimismo infundado de alguém que diz “pode ser que tenhamos sorte”. A verdadeira esperança apoia-se em razões: a fidelidade de quem prometeu, o amor que nos liga àquele de quem se espera.Para os cristãos, a esperança fundamenta-se no amor que Deus nos tem, sobretudo aos que sofrem. O Natal é tempo de esperança porque celebramos um acontecimento em que Deus cumpriu o que tinha prometido. E ultrapassou a promessa: Prometera um Messias salvador e veio Ele próprio, no mistério de um Filho divino em condição humana.Disse-nos que não esperássemos dele sorte ou facilidades, mas sim o seu grande amor por nós e o remédio para a principal raiz dos males: o nosso egoísmo, o mau proceder, o apego ilusório ao que é passageiro...Para isso Ele nos prometeu ensinamento, ajudas e acompanhamento... Mas, onde estão essas ajudas? Essa salvação do Deus feito Menino? Passado o Natal, não ficará tudo na mesma?A esperança de quem tem fé é esperar na noite. Ouve-se a voz de quem grita “Estou aqui! Sou Deus! Conta comigo!”Quem está no escuro quer ver o rosto de Quem promete... Ora esse rosto é cada um de nós, quando, tocados por Ele, fazemos como Ele: amamos, vamos ao encontro, estamos presentes!Por isso o Natal é um convite a sermos o rosto do amor, os pés de Deus que vai, as mãos de Deus que faz.. Que cada um de nós realize gestos que respondam à esperança de quem precisa uma ajuda generosa a quem necessita, uma mensagem personalizada a quem nos esqueceu, uma presença sincera junto de quem vive só... e eis que ele descobrirá em nós o rosto da quem esperava, o sorriso do Menino do Presépio!E eis que nós, que respondemos à esperança do irmão, sentimos no coração a inesperada alegria de a ter dado aos outros!A recebê-la e a difundi-la, que todos experimentemos a esperançosa alegria do Natal.
+ Albino Cleto

Domingo, Novembro 29, 2009

Deus "vem"…

No Advento a liturgia repete-nos com frequência e garante-nos, quase que a vencer a nossa natural desconfiança, que Deus "vem":


vem para estar connosco, em qualquer situação; vem para habitar no meio de nós, para viver connosco e em nós; vem preencher as distâncias que nos dividem e nos separam; vem para nos reconciliar com Ele e entre nós. Vem à história da humanidade, bater à porta de cada homem e mulher de boa vontade, para dar aos indivíduos, às famílias e aos povos o dom da fraternidade, da concórdia e da paz.


Por isso, o Advento é por excelência o tempo da esperança, no qual os crentes em Cristo são convidados a permanecer em expectativa vigilante e laboriosa, alimentada pela oração e pelo compromisso efectivo do amor. Que o aproximar-se do Natal de Cristo encha os corações de todos os cristãos de alegria, de serenidade e de paz!
Para viver de maneira mais autêntica e frutuosa este período de Advento, a liturgia exorta-nos a olhar para Maria Santíssima, e a encaminharmo-nos idealmente com ela para a Gruta de Belém. Quando Deus bateu à porta da sua jovem vida, ela recebeu-o com fé e com amor. Daqui a alguns dias contemplá-la-emos no mistério luminoso da sua Imaculada Conceição. Deixemo-nos atrair pela sua beleza, reflexo da glória divina, para que "o Deus que há-de vir" encontre em todos um coração bondoso e aberto, que Ele possa encher com os seus dons.
(BENTO XVI, 3 de Dezembro de 2006)

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Zaqueu...

Procuro-Te por entre uma multidão
que caminha e se atropela
entre ciclos de vaidade e confusão

procuro-Te e não Te Vejo,
onde estás?

e assim, por entre uma amálgama de gente,
busco o Teu rosto, sem Te ver
procuro o Teu olhar, sem o merecer
desejo o Teu amor, para me não perder...

e num gesto derradeiro,
em sobressalto,
um velho sicómoro
é lugar caricato para me encarrapitar
ao menos para ter o gosto de Te ver passar...

nesta demanda de um velho peregrino
que quer caminhar,
mesmo sem entender o caminho,
ali estou,
mais perto do céu, nas alturas,
…e nunca me senti tão pequeno.

Sou eu,
Eu sei que Tu o sabes,
Me conheces e sondas,
E no cruzar de olhares,
Desmoronas a pequenez do meu querer,
E do crer de tantos dias rotineiros.

Quero ficar em ti, na tua casa,
Hoje!
A minha alma estremece e vibra,
atónita talvez,
No desconcerto de ter o Tudo em mim,
Comigo, no meu lar,
E mesmo sem falar digo que sim!

O meu coração pequeno,
Tantas vezes pródigo de Deus e de mim,
Teima em não se calar:
“a medida de Deus é amar”
E como címbalo sonoro
Rompe a mudez da vida,
Triste e aborrecida,
E num dar-me sem medida
Convida-me a partilhar.


Na multiplicação por quatro
Vão as fronteiras quebradas
dum orgulho “em-mim-mesmado”
que se abriu à novidade
da eterna claridade
de um Deus em mim “acampado”.

e na alegria do encontro
com o Fiel peregrino,
nesta casa de Zaqueu,
quem desceu daquele sicómoro,
atónito e transformado,
já percebi…que fui eu!

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Descalça-Te...

Fica a partilha de um pequeno texto-oração que escrevi há dias iluminado pela meditação feita a partir do Livro do Êxodo Capítulos 3 e 4

Descalça as sandálias…
Toca o chão de Deus,
Deixa que o teu coração palpite
e se desassossegue.

Descalça as sandálias…
Toca o chão dos homens,
deixa que teus pés se firam,
que as suas misérias não colham em ti
o fruto da indiferença,
que os seus anseios não tenham em ti
simplesmente o retorno de um eco vazio e estéril.

Descalça as sandálias…
bebe em cada passo
o amargo cálice da paixão do mundo
contempla cada rosto
vês neles o futuro?

Descalça as sandálias…
Serás profeta,
guia e pastor
do pequeno rebanho.

Descalça as sandálias…
Para rasgares horizontes de eternidade
a cada passo dado,
a cada abraço partilhado,
a cada fardo aliviado.

Descalça as sandálias…
pisas o chão de Deus.
Prostra-te,
Adora-O,
Ele está aqui
Neste fogo eterno
Que aquece sem consumir…
Escutas a sua voz?...